segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

TERCEIRO, QUARTO E QUINTO DIA

E assim passamos a primeira semana de desemprego: acordava, ia pro curso de dança no teatro, e depois... só Deus sabe! 

Uma sensação de culpa e estranhamento por, entre 10h e 13h estar eu, dançando ao som de um tambor. Pra quem nunca tinha tido esta oportunidade, era algo novo. Quem eram as pessoas que estavam comigo? Desempregados que nem eu? Atrizes, dançarinas, arte-educadoras, produtoras, trabalhadoras autônomas? Como ganhavam a vida? Eram filhas de pai rico? Sustentavam-se a si próprias? Conformavam-se com uma vida simples? Tinham seu próprio negócio? E no ônibus que eu pegava ao voltar para casa naquele horário? Quem eram? 

Essas perguntas comecei a me fazer quando estava infeliz com meu estágio em 2011: será que as pessoas da rua gostam da sua vida, do seu trabalho? E não ficou diferente, mesmo quando mudei de emprego e amava aquele lugar. Desde esta época me perguntava quem eram e pra que vivem. Minha imaginação é muito fértil, na maioria das vezes eu mesma respondia. 

Estar longe do computador era algo incrivelmente incômodo. Parecia ser culpada de não estar lá, ligada nas novidades, sentada com um apoiador e com meu celular ligado ao meu lado à espera de uma santa pessoa querendo marcar uma entrevista. Por que não me mandam e-mail? Será que meu celular está fora de área? Quando descobri que era apenas configurar meu celular para receber nele um aviso de e-mail. Nossa! Que alívio!!! Muitos eram spam... 

Passada esta semana, depois de almoçar com um amigo no shopping, e esperar ansiosamente a minha volta para casa, decidi que a semana seguinte seria diferente: vou procurar emprego em tempo integral!  


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

SEGUNDO DIA

Dessa vez consegui acordar mais tarde! Fiz a mesma coisa: café-da-manhã, academia e computador... mas.... dessa vez eu tinha um compromisso no meio da tarde! Ia me inscrever para uma oficina de Tambor de Criola em um teatro na Consolação. Um daqueles programas que poucas pessoas conseguem fazer, porque a grande maioria tem aquela rotina: trabalho de 8 ou 10 horas por dia... Ia me inscrever e de quebra pedir um emprego! Que ideia genial! Eu, como atriz e produtora poderia facilmente trabalhar na administração ou na pauta de um teatro. Seria incrível! 

Só consegui fazer a inscrição mesmo... até conversei com a coordenadora de produção, mas ficou naquela coisa "A gente vai se falando!". Essa frase diz tudo e nada ao mesmo tempo. A gente vai se falando quando? Como? Quer marcar um horário? Fico que nem um carrapato em cima? Largo a mão e vou procurar outro lugar? Oh Deus, como eu queria ser uma exímia cara-de-pau. 

Enfim... consegui o curso. De quarta até sexta, por 3 horas no meio da manhã! Justo para uma primeira semana de desemprego fazer uma oficina de dança junto com outras pessoas que vivem e gostam da arte. Quem sabe não aprendo a ser cara-de-pau ali e peço emprego pra todo mundo? Ou pelo menos um conselho? Ou falo como quem não quer nada que estou desempregada e queria muito trabalhar com produção cultural? Deus! Já fico com raiva de mim mesma ao pensar em ser cara-de-pau/pidona. Sem contar na vergonha que dá em pedir uma coisa pra quem você nunca viu na vida. 

De volta pra minha casa liguei o computador pra alimentar a rotina de esperar que alguma coisa aconteça.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PRIMEIRO DIA

""Hoje eu vou dormir muito!". Doce ilusão... quando pensei nisso já estava acordando às 8 da manhã com o barulho da minha irmã, minha mãe e meu pai em uma segunda-feira, dia em que todos trabalhavam, menos minha mãe, porque ela é professora, e professor tem um horário diferente. 
Acordei. Ok, primeiro dia de desempregado, é bom que me acostume com regras, assim não enfio o pé na jaca e acho que estou de férias. Fui na academia, voltei, agi como se estivesse trabalhando ainda: comi uma fruta e tomei um café às 10h da manhã. 
Pela primeira vez assisti ao programa da manhã. Depois, liguei o computador e fiquei.... fiquei... fiquei... procurando o que às vezes nem existia! Assisti o Vale a Pena Ver de Novo - um dos desejos da minha vida de empregada, eu adorava aquela novela! - depois voltei ao computador... O bom é que nesse dia eu tinha Vigilantes do Peso e Ballet à noite, então não seria necessário ficar no computador o tempo todo. 
Às 6 da tarde já estava vesga de tanto olhar para a tela do computador. Angustiada e triste porque não tinha encontrado nada interessante para que eu pudesse trabalhar e nem tive uma ideia genial para ganhar dinheiro. 
Ainda bem que deu o horário para sair de casa! "Não posso ficar o dia todo no computador, não me faz bem...". 
Emagreci, vitória!!! Estou quase chegando no meu peso ideal... foi suado, espero que essa vida de desemprego não estrague tudo. No ballet, bom, ele me faz muito bem! Enquanto o teatro me enche de dúvidas, o ballet me acalma. Ainda mais colocando o collant e todos dizendo "Como você emagreceu!". É ótimo! 
Bom, missão de.... sobrevivi ao primeiro dia. Só. Não arranjei entrevista. Mas calma! É só o primeiro dia! 
A lição de hoje: "não fique no computador o tempo todo, ele te faz mau!".