quarta-feira, 26 de março de 2014

DEPOIS DO "NÃO", VEM O "SIM"!

Depois de ter dito aquele "não" arranjei uma outra coisa para dizer "sim"! Não que eu estivesse arrependida, mas só pelo simples fato de saber que ganharia uma graninha... 

Lembrei que no Teatro Escola Macunaíma (onde estudei), estava prestes a começar a sua famosa (?) Mostra de Teatro. Pensei eu: "Ah, posso trabalhar lá! Vários amigos meus trabalharam... deve ser tranquilo e é uma boa para fazer contatos com meus antigos professores, e outros funcionários da escola, mostrar que estou disponível, que sou uma boa profissional...". 

Procurei o famoso cara da camisa do "Laranja Mecânica" (não preciso dizer nomes, todo mundo conhece o Fábio Jerônimo lá no "Macú") e disse: 

- Ei! Estou disponível e precisando de um trabalho. Tem vaga pra mim na Equipe Macú? 
- Claro! Seria de sexta à domingo, das 18h às 21:15. Pagamos o valor X (acho feio colocar aqui o valor) mais o transporte. Pode? 
- Fechado! Quando começa? 

Não lembro mais quando começou, só sei que foi em novembro e ficou até final de dezembro...

Começamos a mostra e eu adorei -de verdade- este trabalho. Além de estar no meu habitat natural, revivi um pouco da correria da produção. 

Eram cinco peças de teatro acontecendo ao mesmo tempo; diversas pessoas em 5 filas diferentes... Relembrei meus tempos de Jornal da Gazeta, quando eu era a estagiária que fazia o papel de correr atrás dos jornalistas cobrando a matéria pronta em 5 minutos para entrar no ar. A diferença é que dessa vez eram diretores de teatro. 

Fazer este trabalho reacendeu a minha chama que estava apagada com a produção. Realmente eu gosto da correria, da adrenalina, de me sentir parte do que acontece, de enxergar soluções... talvez a minha última experiência não tenha sido tão boa assim... Talvez eu só precisasse ficar um tempo fora pra entender... Talvez o meu lugar seja produzindo espetáculos... talvez eu deva trabalhar com aquilo que eu me identifique... ou talvez tudo seja um grande talvez.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O PRIMEIRO NÃO

Celular toca, número desconhecido. Recebi uma ligação!! Maravilha, tenho uma entrevista amanhã para monitora de exposição! Ufa...

Dia seguinte, fui arrumadinha e feliz da vida por ter uma entrevista. Lá, esperei um pouco e as mulheres do RH me chamaram: 

- Você já trabalhou com monitoria? 
- Não... primeira vez. 
- Nós achamos seu currículo muito acima da vaga, será que se adaptaria? 
- Claro! Dou aula de teatro também, gosto de ensinar. 
- Hum... você não ligaria, então? Vejo que você tem bastante experiência em produção.
- Claro que não! Eu quero entrar no universo de museus, casas culturais, porque quero trabalhar com produção cultural.
- Bom, a vaga é para trabalhar de terça à domingo, das 15h às 21h até dia 12 de janeiro. Aqui temos o departamento de produção, às vezes se interessam. Aguarde um pouco lá fora enquanto eu converso com a outra menina, por favor. 

Aguardei a próxima a ser entrevistada, e depois nós duas aguardamos o RH. Em conversa com a menina ao meu lado, descobri que minha função não seria educar ninguém, apenas ficar olhando parada os passantes, pedindo para evitar tocar nas coisas, não amontoar... 

- Sério?! Eu pensava que era pra explicar... 
- Não! Isso é coisa do educativo! Aqui é tranquilo, é só ficar parada. Passa rápido. 
- Ai gente... não sei... do jeito que eu sou, não aguentaria ficar parada olhando por 6 horas. 

A menina do RH anuncia que fomos contratadas. Ai meu Deus... o que eu faço? Ligo pro meu namorado e explico a situação: "Tenho outros compromissos até o final do ano, e se eu aceitar, não vou conseguir realizar... não iria aguentar ficar que nem segurança durante 6 horas! Eu ia morrer de ansiedade!"... "Bia, faz o que você acha que deve fazer. A decisão é sua...". 

Eu tenho uma regra pra mim: se fico muito tempo pensando em um assunto só e ele é sempre negativo, é melhor não fazer. Foi o que eu fiz: conversei com quem mais poderia me falar sobre as tarefas da vaga e concluí que não era para mim, não aguentaria. Falei com o RH e pedi mil perdões, dizendo que tinha outros compromissos que teria que cancelar, mas que já estavam marcados desde o início do ano. Além disso, disse que se fosse para ensinar, falar com o público, aceitaria sem medo! 

Me senti mal pela pequena confusão, mas satisfeita por ter sido sincera de não ter aceitado a primeira proposta, por mais que eu não soubesse se a segunda viria rápido. Afinal, estava há pouco tempo desempregada, e sabia que precisava passar por mais coisa. Não era a hora... cheguei em casa tranquila.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O SUPERMERCADO

Deus, como minha mãe gosta de supermercado! Depois de passar a manhã na rotina inventada por mim: café-da-manhã, academia, banho e computador, esperava minha mãe ligar para saber se iria me virar no almoço ou se ela gostaria da minha companhia.  

Por incrível que pareça, de 5 dias úteis que existem na semana, ela vai ao supermercado em 3. Isso quando não vai ao shopping que por coincidência possui um supermercado dentro. Fiquei abismada! Segundo ela, um dia era para casa, outro para meu avô e outro era para as frutas. Mas o que mais me intrigava era sentir a animação dela no setor de frutas, legumes e pães. Só entendo porque sinto a mesma alegria quando passo em uma papelaria ou no setor de cozinha do supermercado (adoro pratos, copos, panelas...). Eu definitivamente não tenho paciência para escolher frutas. Uma vez aprendi que não se pode apertá-las, senão elas ficam com a marca de amassado e ninguém pega depois, mas minha mãe insistia que se eu não apertasse, não saberia se o mamão estava bom o suficiente. E a vagem?! Cristo! Elas são iguaizinhas, como definir qual a melhor? Bom, já deu pra ficar claro que demorava o dobro do tempo para essas funções. Trabalhava melhor como almoxarife: pega isso enquanto eu escolho as frutas, verduras... 

- Precisa de salada, filha? 
- Não... vamos embora. 
- Mas o que a gente vai jantar hoje? Pode ser peixe? 
- Ah, faz um patê de atum! 
- Mas o papai não fica satisfeito só com o patê de atum. 
- Então deixa um bife pra ele. 
- Mas tem que comprar... a carne não está boa hoje. 
- Ah, então pede pizza! Vamos!! 
- Ah!!!! O mamão!! 

Sempre o mamão... acredita que ela come mamão todo dia?! Segundo ela é por isso que os mosquitos não a picam. Vitamina C. Só eu achei essa história meio estranha? 

Essa minha nova rotina me faz entender como a casa funciona. Minha mãe é a produtora da minha casa! Se ela não sair para comprar isso, aquilo, se não planejar o almoço, a janta, minha família praticamente morre de fome (não por falta de dinheiro, mas por falta de abastecimento)! 

Me sentia uma verdadeira dona de casa: academia, supermercado e às vezes shopping, de volta pra casa e... bom, acho que não preciso falar de novo o que eu fazia quando chegava em casa.