segunda-feira, 19 de maio de 2014

ACHEI MAS NÃO FUI ENCONTRADA

E não é que um belo dia me ligam para fazer uma entrevista em uma produtora cultural? 
**** CORNETAS TOCAM****
Saí pulando, contando, euforicamente à minha mãe a nova oportunidade que surgiu encontrada em um site de empregos qualquer. 

"Mãe, é tudo o que eu  quero!!!"

Fui na entrevista. Perto de casa, uma produtora nova, tudo aquilo que havia pedido a Deus. A proposta era para ser Assistente de Produção de uma produtora cultural que focava mais no teatro. Ser o braço direito da dona da empresa que queria fazer a arte bombar em São Paulo! Noooossa, como eu fiquei animada. Isso foi em uma terça feira. 

Na quinta, antes do almoço, me ligam para marcar um café, pois queriam que a outra sócia me conhecesse. 

"Ainda tá no páreo, filha!" 
"Amém!"

Fui em um café no bairro de Higienópolis pensando no que poderia e no que não poderia falar. Quando chegaram, respondi algumas perguntas, conversamos um pouco, e saí com a sensação de muita vontade de ser escolhida, mas que não seria dessa vez. Como disse, meu sexto sentido funciona. 

Na semana seguinte, fazendo uma das 1.000 provas de processo seletivo, ligo meu celular e vi uma mensagem na caixa postal. 

"Beatriz, aqui é a fulana da produtora X. Estou te ligando pra dizer que infelizmente não vamos ficar com você dessa vez. Preciso de alguém mais experiente, porque vou fazer muitas viagens neste começo. Mas manterei seu contato no meu banco de dados pra algum freela que aparecer." 

Ainda bem que eu estava na rua, as lágrimas foram mais contidas. Culpei meu namorado por estar no trabalho e não conseguir me atender - desculpa, amor- pensei mil vezes mil bobagens sobre desistir, voltar para a televisão e etc... 

Cheguei em casa e desabei no colo de mamãe. Não existe melhor lugar para desabar! 

Era o meu emprego dos sonhos! Tudo o que eu esperava, tudo o que eu queria! Onde estou errando? 

"Bia, você não se perde quando se fala de teatro? Será que a pessoa não se assusta?" 

"Mãe, ela é do meio também!!!" 

Como eu bati nessa tecla.... até descobrir que uma saída é esquecer um pouco da Beatriz artista...

Fui pro ballet e melhorei.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O CONVITE INESPERADO

Meu sexto-sentido funciona muito bem. Sabia que algo iria acontecer naquela sexta-feira ensolarada. Foi quando abri meu Facebook e tinha um inbox da coordenadora de projetos pedagógicos do Projeto Casulo. 

Lembrei que havia mandando o projeto Novos Olhares pra ela sem uma pretensão muito clara, e lá estava o convite: ela me chamava para dar 6 oficinas de teatro para seus alunos de 12 a 14 anos. 

Aceitei na hora, mesmo com muito medo! Chegando lá, conheci pré-adolescentes carentes de atenção, e que como qualquer pré-adolescente desta idade, sem muito saber o que ser. 

É difícil quando uma aula de teatro é obrigatória. O teatro exige que você se mostre completamente para o outro. Mesmo aquele "mais engraçado da turma" fica tímido na hora de fazer qualquer improviso; e aí a timidez aparece de diversas formas: desinteresse, risadas, inquietação, silêncio... 

Percebi uma coisa muito triste: antes da aula estava com medo! Medo do que?! Olha o seu tamanho, mulher! Medo de não conseguir fazer aquilo que me propus a fazer... Pura ansiedade! Mas entendo a sensação na hora: "Vou fazer o que se eles não quiserem fazer nada?! Só não quero ter que ficar correndo de um lado pra outro dando bronca. Como eu posso prender a atenção desse povo?!". Ali senti que a missão é difícil, e que pra conseguir o objetivo requer muita determinação!

Eu não sou o tipo de professora que acha a bronca a melhor maneira de solucionar o problema. Gosto da conversa, do debate. Pra mim, o teatro é uma arma política! O que eu estava fazendo lá era política. Política com quem sabia pouco da vida, e menos ainda do que os espera no mundo lá fora... 

Se consegui fazer tudo o que eu queria? De jeito nenhum! Mas tenho certeza que plantei uma boa semente na turma da manhã, mais quieta, um pouco mais interessada. Plantei algumas sementes em alguns alunos da tarde, onde a turma era mais agitada. Mas a maior semente plantada foi em mim mesma: a consciência de que o que eu quero fazer é realmente difícil, mas vale a pena!

A simples conversa com um garoto que sofre bulling por ser mais fraco, dizendo para ele que no futuro o que vai importar mesmo é a sua inteligência (mesmo que ele não tenha entendido na hora, sei que chegará o momento); a tentativa de demonstrar que a liderança pode ser boa se o líder natural do grupo a souber utilizar; a atenção dada à menina que é artista por natureza e que só queria mostrar sua dança; a tentativa das meninas mais tímidas de fazer um exercício; as respostas inteligentes dos mais terríveis da turma. Tudo isso todos os professores aprendem em sala de aula, mas poucos sabem utilizar. 

O que eu entendo por educação é a pura troca de experiência, e o teatro já é em si um jogo de troca. Fazer teatro não é fácil, requer coragem. Ser pré-adolescente requer coragem. Viver requer coragem. Somos todos corajosos, mas infelizmente poucos tem a oportunidade de se mostrar ao mundo, o que na maioria das vezes é o caso desses meus alunos de 6 aulas. 

Se todos nós percebermos que cada indivíduo tem um poder e é uma peça fundamental deste país, tenho certeza que caminharemos para um lugar melhor. Todos juntos somos fortes!

terça-feira, 8 de abril de 2014

FATO -COMPLETAMENTE- INESPERADO

Imagine que sou atriz. Imagine que me formei em 2011, com DRT, todo bonitinho, e desde esta época tenho um cadastro em uma única agência de atores. Imagine que ela nunca me ligou...

Imagine agora eu, voltando da academia rotineira da manhã, chegando em casa e recebendo a ligação daquela agência, que eu nem sabia que ainda estava cadastrada me chamando para um teste que aconteceria em 3h... 

Imagine que eu achei isso tudo muito louco e que saí correndo para me arrumar para o meu primeiro casting. Lembrei de todas as roupas que ficam horrorosas na câmera, de tudo aquilo que aprendi como produtora de casting na faculdade e como atriz observadora. 

Cheguei lá, eu e meu aparelho fixo na boca, e fiz o teste. Tinha que cantar uma música baseada no "Jingle Bell". Cantar? Moleza... quando não fico nervosa! Confesso que desafinei um pouco, não sei se isso foi levado em consideração. Fiz a linha do "canto, danço e represento", sem a parte da dança.

Fui embora achando tudo aquilo muito divertido! Só mesmo desempregada que eu iria conseguir fazer um casting no meio da tarde! Deus apronta cada uma... 

Agora imagine só que isso foi em uma segunda-feira, e que na terça à noite, depois da minha adorada aula afro na Sala Crisantempo, com a Janette Santiago, vejo meu celular cheio "das ligações". E vejo por meio de uma mensagem de whatsap carinhosa de minha irmã Luiza que passei no teste: 

"Bia???? " 18:42 
"Se você atendesse o celular" 18:58 
"Saberia" 18:58 
"QUE FOI APROVADA PRO TESTE QUE FEZ ONTEM DE  ATORES" 18:58 

MENTIRA!!!!!!!!!!!!!!! 

Isso foi o que eu falei na hora, porque a estória é verídica. 

A gravação aconteceu uma semana depois. Cheguei às 14h no local e só saí às 00h. Que bizarro é estar no outro lado! Eu, que estou acostumada a estar do lado da produção, pela primeira vez na vida estava no lado dos atores. Que diversão! Cansativo, confesso... porque tanto tempo de espera? Na hora da gravação me sentia uma criança encantada, em um mundo paralelo. Como sair um pouco do nosso universo é gostoso... 

(Sou a de óculos, tá vendo?) 

Tinha coreografia e tudo! E o mais engraçado é que quando cheguei no dia de ensaio descobri que faço parte das pessoas consideradas "excêntricas". O porque eu já não sei! 

Depois, joguei na cara daquele tio que me disse que me pagaria um jantar quando eu aparecesse na Globo. Mas até agora estou com fome...

quarta-feira, 26 de março de 2014

DEPOIS DO "NÃO", VEM O "SIM"!

Depois de ter dito aquele "não" arranjei uma outra coisa para dizer "sim"! Não que eu estivesse arrependida, mas só pelo simples fato de saber que ganharia uma graninha... 

Lembrei que no Teatro Escola Macunaíma (onde estudei), estava prestes a começar a sua famosa (?) Mostra de Teatro. Pensei eu: "Ah, posso trabalhar lá! Vários amigos meus trabalharam... deve ser tranquilo e é uma boa para fazer contatos com meus antigos professores, e outros funcionários da escola, mostrar que estou disponível, que sou uma boa profissional...". 

Procurei o famoso cara da camisa do "Laranja Mecânica" (não preciso dizer nomes, todo mundo conhece o Fábio Jerônimo lá no "Macú") e disse: 

- Ei! Estou disponível e precisando de um trabalho. Tem vaga pra mim na Equipe Macú? 
- Claro! Seria de sexta à domingo, das 18h às 21:15. Pagamos o valor X (acho feio colocar aqui o valor) mais o transporte. Pode? 
- Fechado! Quando começa? 

Não lembro mais quando começou, só sei que foi em novembro e ficou até final de dezembro...

Começamos a mostra e eu adorei -de verdade- este trabalho. Além de estar no meu habitat natural, revivi um pouco da correria da produção. 

Eram cinco peças de teatro acontecendo ao mesmo tempo; diversas pessoas em 5 filas diferentes... Relembrei meus tempos de Jornal da Gazeta, quando eu era a estagiária que fazia o papel de correr atrás dos jornalistas cobrando a matéria pronta em 5 minutos para entrar no ar. A diferença é que dessa vez eram diretores de teatro. 

Fazer este trabalho reacendeu a minha chama que estava apagada com a produção. Realmente eu gosto da correria, da adrenalina, de me sentir parte do que acontece, de enxergar soluções... talvez a minha última experiência não tenha sido tão boa assim... Talvez eu só precisasse ficar um tempo fora pra entender... Talvez o meu lugar seja produzindo espetáculos... talvez eu deva trabalhar com aquilo que eu me identifique... ou talvez tudo seja um grande talvez.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O PRIMEIRO NÃO

Celular toca, número desconhecido. Recebi uma ligação!! Maravilha, tenho uma entrevista amanhã para monitora de exposição! Ufa...

Dia seguinte, fui arrumadinha e feliz da vida por ter uma entrevista. Lá, esperei um pouco e as mulheres do RH me chamaram: 

- Você já trabalhou com monitoria? 
- Não... primeira vez. 
- Nós achamos seu currículo muito acima da vaga, será que se adaptaria? 
- Claro! Dou aula de teatro também, gosto de ensinar. 
- Hum... você não ligaria, então? Vejo que você tem bastante experiência em produção.
- Claro que não! Eu quero entrar no universo de museus, casas culturais, porque quero trabalhar com produção cultural.
- Bom, a vaga é para trabalhar de terça à domingo, das 15h às 21h até dia 12 de janeiro. Aqui temos o departamento de produção, às vezes se interessam. Aguarde um pouco lá fora enquanto eu converso com a outra menina, por favor. 

Aguardei a próxima a ser entrevistada, e depois nós duas aguardamos o RH. Em conversa com a menina ao meu lado, descobri que minha função não seria educar ninguém, apenas ficar olhando parada os passantes, pedindo para evitar tocar nas coisas, não amontoar... 

- Sério?! Eu pensava que era pra explicar... 
- Não! Isso é coisa do educativo! Aqui é tranquilo, é só ficar parada. Passa rápido. 
- Ai gente... não sei... do jeito que eu sou, não aguentaria ficar parada olhando por 6 horas. 

A menina do RH anuncia que fomos contratadas. Ai meu Deus... o que eu faço? Ligo pro meu namorado e explico a situação: "Tenho outros compromissos até o final do ano, e se eu aceitar, não vou conseguir realizar... não iria aguentar ficar que nem segurança durante 6 horas! Eu ia morrer de ansiedade!"... "Bia, faz o que você acha que deve fazer. A decisão é sua...". 

Eu tenho uma regra pra mim: se fico muito tempo pensando em um assunto só e ele é sempre negativo, é melhor não fazer. Foi o que eu fiz: conversei com quem mais poderia me falar sobre as tarefas da vaga e concluí que não era para mim, não aguentaria. Falei com o RH e pedi mil perdões, dizendo que tinha outros compromissos que teria que cancelar, mas que já estavam marcados desde o início do ano. Além disso, disse que se fosse para ensinar, falar com o público, aceitaria sem medo! 

Me senti mal pela pequena confusão, mas satisfeita por ter sido sincera de não ter aceitado a primeira proposta, por mais que eu não soubesse se a segunda viria rápido. Afinal, estava há pouco tempo desempregada, e sabia que precisava passar por mais coisa. Não era a hora... cheguei em casa tranquila.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O SUPERMERCADO

Deus, como minha mãe gosta de supermercado! Depois de passar a manhã na rotina inventada por mim: café-da-manhã, academia, banho e computador, esperava minha mãe ligar para saber se iria me virar no almoço ou se ela gostaria da minha companhia.  

Por incrível que pareça, de 5 dias úteis que existem na semana, ela vai ao supermercado em 3. Isso quando não vai ao shopping que por coincidência possui um supermercado dentro. Fiquei abismada! Segundo ela, um dia era para casa, outro para meu avô e outro era para as frutas. Mas o que mais me intrigava era sentir a animação dela no setor de frutas, legumes e pães. Só entendo porque sinto a mesma alegria quando passo em uma papelaria ou no setor de cozinha do supermercado (adoro pratos, copos, panelas...). Eu definitivamente não tenho paciência para escolher frutas. Uma vez aprendi que não se pode apertá-las, senão elas ficam com a marca de amassado e ninguém pega depois, mas minha mãe insistia que se eu não apertasse, não saberia se o mamão estava bom o suficiente. E a vagem?! Cristo! Elas são iguaizinhas, como definir qual a melhor? Bom, já deu pra ficar claro que demorava o dobro do tempo para essas funções. Trabalhava melhor como almoxarife: pega isso enquanto eu escolho as frutas, verduras... 

- Precisa de salada, filha? 
- Não... vamos embora. 
- Mas o que a gente vai jantar hoje? Pode ser peixe? 
- Ah, faz um patê de atum! 
- Mas o papai não fica satisfeito só com o patê de atum. 
- Então deixa um bife pra ele. 
- Mas tem que comprar... a carne não está boa hoje. 
- Ah, então pede pizza! Vamos!! 
- Ah!!!! O mamão!! 

Sempre o mamão... acredita que ela come mamão todo dia?! Segundo ela é por isso que os mosquitos não a picam. Vitamina C. Só eu achei essa história meio estranha? 

Essa minha nova rotina me faz entender como a casa funciona. Minha mãe é a produtora da minha casa! Se ela não sair para comprar isso, aquilo, se não planejar o almoço, a janta, minha família praticamente morre de fome (não por falta de dinheiro, mas por falta de abastecimento)! 

Me sentia uma verdadeira dona de casa: academia, supermercado e às vezes shopping, de volta pra casa e... bom, acho que não preciso falar de novo o que eu fazia quando chegava em casa. 


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

TERCEIRO, QUARTO E QUINTO DIA

E assim passamos a primeira semana de desemprego: acordava, ia pro curso de dança no teatro, e depois... só Deus sabe! 

Uma sensação de culpa e estranhamento por, entre 10h e 13h estar eu, dançando ao som de um tambor. Pra quem nunca tinha tido esta oportunidade, era algo novo. Quem eram as pessoas que estavam comigo? Desempregados que nem eu? Atrizes, dançarinas, arte-educadoras, produtoras, trabalhadoras autônomas? Como ganhavam a vida? Eram filhas de pai rico? Sustentavam-se a si próprias? Conformavam-se com uma vida simples? Tinham seu próprio negócio? E no ônibus que eu pegava ao voltar para casa naquele horário? Quem eram? 

Essas perguntas comecei a me fazer quando estava infeliz com meu estágio em 2011: será que as pessoas da rua gostam da sua vida, do seu trabalho? E não ficou diferente, mesmo quando mudei de emprego e amava aquele lugar. Desde esta época me perguntava quem eram e pra que vivem. Minha imaginação é muito fértil, na maioria das vezes eu mesma respondia. 

Estar longe do computador era algo incrivelmente incômodo. Parecia ser culpada de não estar lá, ligada nas novidades, sentada com um apoiador e com meu celular ligado ao meu lado à espera de uma santa pessoa querendo marcar uma entrevista. Por que não me mandam e-mail? Será que meu celular está fora de área? Quando descobri que era apenas configurar meu celular para receber nele um aviso de e-mail. Nossa! Que alívio!!! Muitos eram spam... 

Passada esta semana, depois de almoçar com um amigo no shopping, e esperar ansiosamente a minha volta para casa, decidi que a semana seguinte seria diferente: vou procurar emprego em tempo integral!